quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Dia da Consciência Negra

É claro que eu sei que o Dia da Consciência Negra foi dia 20, mas só hoje tive tempo para escrever. Para começar, declaro que não concordo com a data pois me passa a sensação que o negro não tem consciência dele mesmo e se ele não tem, quem vai ter? Não existe algo mais antagônico que falar em igualdade, em política igualitária, em discriminação ao mesmo tempo em que se exalta a diferença criando datas comemorativas, cotas em faculdades, enfim...segregação racial. Para começar, existe a ignorância no próprio conceito de racismo pois todas as pessoas do mundo são da mesma raça, a raça humana. A diferença são as variedades genéticas que trazem esta profusão de tipos físicos. E devido a essa miscelânea mesmo que existe hoje em todo o mundo, é impossível isolarmos cada tipo em uma casta especial prestando-lhe assim, um tributo. Teríamos que criar também um Dia do Mestiço, um Dia do Asiático, um Dia do Anglo-Saxão descendente. Isto seria igualdade. Bem, se houvesse isso, eu não saberia qual seria o dia da minha ascêndencia, afinal, como a maioria dos brasileiros eu tenho no mínimo três e me orgulho de cada uma delas, pois conheço a história dos homens que construíram o Brasil e a humanidade. Cada grupo, inserido em seu íngreme ambiente, em suas dificuldades, com as suas limitações, buscaram sobreviver, criaram condições, forjaram ferramentas. A humanidade, em sua jornada, foi capaz de feitos grandiosos e deslizes terríveis, mas criou suas culturas variadas, suas crenças diversificadas, suas bandeiras e fronteiras. É claro que existe uma dívida moral e histórica com os homens originários da África, sequestrados de seu povo para serem escravizados em países de todo o mundo.Isto é uma dívida de toda a humanidade, assim como existe a dívida com os povos pré-colombianos de quem roubamos a terra. Mas não creio que um único dia de cada ano, possa tornar diferente o preconceito étnico. A xenofobia deriva da ignorância, assim como a maioria dos males sociais. A consciência que derruba preconceitos tem que ser dada no ensino de qualidade, que conte a história verdadeira de conquistas bizarras que destruíram civilizações, de uma abolição irresponsável que marginalizou os negros escravizados, de lutas sanguinárias em prol do direito a existir como povo. É preciso ensinar sobre Mandela, sobre Bob Marley, sobre Zumbi, sobre Billie Holliday e levar esta cultura toda, tão intensa, tão vasta, para todas as pessoas. Precisamos é cobrar do governo a melhoria do estudo e da cultura, para que todos tenham real acesso às culturas oriundas de outros continentes, que ajudaram a construir a nossa identidade como nação. O Afro é apenas uma delas e com certeza, uma cultura linda, rica, histórica, que fundamentou a música criando o jazz, o blues, o rock, o samba, o axé; que apimentou a dança com sua ginga quente, sensual como nos ritmos caribenhos e no samba brasileiro, a capoeira (minha grande paixão, saudações á meu Grupo Besouro), o tempero, as comidas. Quem sabe quando as pessoas saírem de seu ostracismo mental e saberem que intelectuais brasileiros eram afrodescendentes (como Machado de Assis, Castro Alves, Lima Barreto) , que a bendita mistura de genes contribue para nos tornar mais resistentes á doenças; que nas Guerras como a do Paraguai, a Invasão Holandesa em Pernambuco, Revolução Farroupilha houve a necessária contribuição dos negros, reconheceremos que o nosso país é moreno, mestiço e onde não cabe divisão de etnias.

"O negro está fora da Ordem

Em nós, até a cor é um defeito.
Um imperdoável mal de nascença,
o estigma de um crime.
Mas nossos críticos se esquecem
que essa cor é a origem da riqueza
de milhares de ladrões que nos
insultam; que essa cor convencional
da escravidão tão semelhante
à da terra abriga sob a superfície
escura, vulcões, onde arde
o fogo sagrado da liberdade" Luiz Gama

2 comentários:

Anônimo disse...

você é foda ("

Anônimo disse...

It's amazing post!!