Este blog é para todas as pessoas que vivem sua natureza plenamente, sentindo-se parte do universo, parte de Deus e respeitam a vida e tudo o que lhes cercam.
sábado, 29 de dezembro de 2007
A maldição de Lilith
Acabara de entrar no recinto quando ouvi um comentário grosseiro à respeito da nossa chegada. Vinha de uma desconhecida que nos olhava enfurecida. Minha irmã perguntou: O que nós fizemos para a moça? - Respondi: "Estou viva, respiro. Só este fato já deve incomodá-la." Apesar do despropósito, estou acostumada com estas atitudes de algumas mulheres que se sentem ameaçadas com a minha presença. Mas o que tenho para causar isto? A maldição de Lilith. Muitas mulheres são vítimas da simbologia da mulher que não aceitou a submissão imposta, abrindo mão do Paraíso para reinar na escuridão. Lilith é a feminilidade plena, transformada em demônio pelas religiões patriarcais dos tempos antigos, que viam na mulher um perigo, uma ameaçada. Lilith é a voz sufocada do inconsciente feminino que quer ser igual, quer relacionar-se sexualmente por desejo, quer ser livre....Maria Madalena, como mostra os manuscritos de Nag Hamadi, no alto Egito, foi uma das mais importantes apóstolas de Cristo, conquistando o lugar de predileta junto ao Mestre. Mas durante mais de mil anos, foi injustiçada pela história onde ficou conhecida como uma prostituta arrependida. Teve também, seu evangelho retirado da Bíblia porquê incitava à manifestação da mulher na Igreja, ameaçando o domínio masculino e o Clero não permitia isso. Mostra disto é a história de Joana D'arc, que ousou liderar um exército em Orleans, na França, causando a rendição destes, com apenas 19 anos. Influenciou o rei Carlos VII e toda uma nação. Não demorou para que alguém a visse como uma ameaça: o bispo Pierre Cauchon que a entregou aos ingleses para ser julgada e queimada como bruxa. Mulheres como Juana de Maldonado e Juana Inês de La Cruz que, para viver o desejo de escreverem e terem liberdade de pensamento, preferiram os frios aposentos dos conventos. Abdicaram do amor para viver o talento, mas não aceitaram a tutela dos casamentos arranjados e castradores, o jugo de serem apenas esposas, de uma vida alienante. Foram gloriosas poetisas e deixaram suas marcas culturais mas também pagaram o preço de serem pensantes, absolutas. A história está sempre injustiçando as "mulheres Liliths" e sendo obrigada a se retratar. Mas como disse Napoleão Bonaparte: A História é um conjunto de mentiras sobre as quais se chegou a um acordo. Enquanto a feminilidade que busca seu lugar ao lado da masculinidade como forças que se completam, yin-yang, sol e lua, dia e noite for um conflito mal resolvido, visto com medo pelos arquétipos colocados pelas sociedades machistas e patriarcais, mulheres como eu, como Joana D'arc, como Florbela Spanca sofreremos a maldição de Lilith, a maldição de sermos nós mesmas, de nos amarmos, nos acreditarmos e buscarmos nossas realizações. Sofreremos sim, todo o peso dos conceitos e preconceitos, mas está estampado em nossos rostos a beleza da realização pessoal.
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2 comentários:
Sônia,
As mulheres é que são as primeiras a se depreciarem e terem inveja uma das outras, elas ficam o tempo todo procurando se rivalizar com outra mulher é uma questão cultural, uma vergonha para nossa raça, porém sempre existem as excessões que são exatamente essas que você citou e outras que como você, são muito poucas e fazem toda a diferença na vida de pessoas que tem o prazer e a honra de conhecerem e fazerem MARCAS.
Seja sempre assim é uma forma de demonstrar o quanto "Você é Especial".
creio então
q sabendo disso
vc naum deveria se preocupar tanto com a inveja alheia
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