segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Prá não dizer que eu não falei das flores......


Todos lembram dessa música, não é mesmo? Afinal, ela foi um ícone da geração anterior a minha, a geração que foi calada pela ditadura militar. A geração pensante, opositora, radical. Sinto falta disso no mundo de hoje. Aliás, sinto falta de muita coisa que hoje se tornou tão difícil. Honra, fantasia, polidez, respeito, isso creio que são coisas que já ficaram lá atrás. É, hoje estou meio revoltada, meio subversiva com as coisas. Porquê hoje eu me sinto um "Admirável Gado Novo" como canta Ramalho, diante da tal globalização e essa bagunça que virou a vida. Veja bem, antes você ia na esquina, comprava e pedia para o S. Manoel anotar na caderneta. E dava certo. Sabe por quê? Porque todos tinham honra, todos tinham zêlo em ter um nome conceituado. O pobre tinha orgulho de ser honesto, não é como hoje que o sujeito tem a cara de pau de querer te extorquir dinheiro no sinal, na porta do restaurante, no estacionamento...com cara de mal e diz.....é melhor do que eu roubar, né, dona. Hora, se ele quizer ser ladrão, criminoso, o problema é dele e não da situação financeira em que ele se encontra. Agora eu, assalariada, honesta, pagante de tudo o que exigem, tenho obrigação de dar dinheiro prá malandro porque senão ele me rouba, então eu dou, né....Mas voltemos a tal globalização. Hoje você depende de cartão (porque senão te roubam) e de comprar em grandes redes (porque supostamente você economiza tempo achando tudo em um lugar só), leva um aparelho de celular ou um desses malditos livres como o meu que chega pelo correio em uma caixinha, com uma notinha que fazem voce assinar para entregarem (você não tem como conferir nada). Bem, até aí tudo bem...Até você se interessar em levar algum aparelho eletronico que acabou de entrar em oferta....Chega em casa, a benção não funciona. Mas tem um número de SAC no fundo. Ah, que bom! Só que depois de ouvir aquela série de opções infinitas, você opta pela Assistência Técnica...e a ligação cai. Isso você fica uma semana para falar com eles e termina seu prazo de troca do aparelho. Caramba. Você tenta resolver daqui e dali e nada, só fala com a URA (a porcaria do robozinho da central telefonica). Aí chega o dia do vencimento do cartão e você liga na Central pois eles não podem te cobrar por uma coisa estragada. Háháhá, é pior ainda. Você vai no PROCON e descobre, depois de horas a fio que eles nunca podem fazer nada, pois acabou o prazo de devolução, você aceitou os termos do cartão....assinou quando recebeu a porcaria....E você fica com todos os ônus da vida de um mundo globalizado, cada vez mais caro e com serviços cada vez piores. Como você se sente? UM PALHAÇO. E daí? Você não existe para o dono do cartão, para o fabricante do aparelho, para o grupo proprietário do Hipermercado, para o governo, para a justiça, para ninguém. O mundo passou a ser apenas uma máquina de faturamento onde nós somos debulhados, amassados até que se faça o pão (deles). Ah, e as flores? Bem, para não dizer que não falei das flores......ainda bem que ainda posso plantá-las, admirá-las e sentir que me resta um pouco de dominio próprio.

2 comentários:

Anônimo disse...

Hahahahahaha, o mais "legal" é ouvir os atendentes de telemarketing dizendo: "senhor(a), nós vamos ESTAR ENTRANDO em contato o mais breve possível... como eles amam o gerúndio kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Anônimo disse...

Outra coisa desse "admirável mundo novo" que eu li hoje: uma menina de 9 anos mandou uma carta pro dono da empresa do iPod e ele respondeu a ela que se ela não parasse de mandar idéias ele iria processá-la!!! O que aconteceu com a gratidão das empresas quando um cliente dava uma sugestão?